Metello (escrito em 1952 e publicado em 1955) é o primeiro capítulo da trilogia Una storia italiana, ambicioso afresco da sociedade italiana entre 1875 e 1945, composto pelo escritor Vasco Pratolini. O romance abarca o período que vai de 1875 a 1902, os anos da crise económica e das violentas repressões do governo contra os operários, talvez a época mais complexa da história da Itália depois da Unificação. Através da maturação do pedreiro Metello Salani – filho de um anarquista e órfão desde tenra idade – Pratolini evoca a consciencialização dos trabalhadores, que, naqueles anos, abandonada a “utopia anárquica” predicada por Bakunin, aproximaram-se gradualmente ao socialismo, descobrindo uma nova arma: a greve. O romance culmina, de facto, na primeira grande greve italiana (46 dias entre Maio e Junho de 1902), que levou à detenção de muitos operários. Nas palavras do autor, Metello é “uma história privada, simples, obscura” – assim como simples e obscura é a vida do protagonista, representante da classe operária aos alvores da sua organização – e baseia-se nalguns “valores indestrutíveis do homem”: as suas origens, a educação sentimental, a luta pela vida, a amizade, o trabalho, o amor, a solidariedade, o pecado. Logo depois da publicação, Metello tornou-se num verdadeiro caso literário, suscitando duras polémicas e, sucessivamente, tal como muitos dos romances de Pratolini, foi transposto para o cinema.

Uma história italiana’: Metello de Vasco Pratolini entre cinema e literatura / Ada Milani. - STAMPA. - 12:(2017), pp. 67-78.

Uma história italiana’: Metello de Vasco Pratolini entre cinema e literatura

Ada Milani
2017

Abstract

Metello (escrito em 1952 e publicado em 1955) é o primeiro capítulo da trilogia Una storia italiana, ambicioso afresco da sociedade italiana entre 1875 e 1945, composto pelo escritor Vasco Pratolini. O romance abarca o período que vai de 1875 a 1902, os anos da crise económica e das violentas repressões do governo contra os operários, talvez a época mais complexa da história da Itália depois da Unificação. Através da maturação do pedreiro Metello Salani – filho de um anarquista e órfão desde tenra idade – Pratolini evoca a consciencialização dos trabalhadores, que, naqueles anos, abandonada a “utopia anárquica” predicada por Bakunin, aproximaram-se gradualmente ao socialismo, descobrindo uma nova arma: a greve. O romance culmina, de facto, na primeira grande greve italiana (46 dias entre Maio e Junho de 1902), que levou à detenção de muitos operários. Nas palavras do autor, Metello é “uma história privada, simples, obscura” – assim como simples e obscura é a vida do protagonista, representante da classe operária aos alvores da sua organização – e baseia-se nalguns “valores indestrutíveis do homem”: as suas origens, a educação sentimental, a luta pela vida, a amizade, o trabalho, o amor, a solidariedade, o pecado. Logo depois da publicação, Metello tornou-se num verdadeiro caso literário, suscitando duras polémicas e, sucessivamente, tal como muitos dos romances de Pratolini, foi transposto para o cinema.
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Ada Milani
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